

Poema da Amiga
A tarde se deitava nos meus olhos
E a fuga da hora me entregava abril,
Um sabor familiar de até-logo criava
Um ar, e, nao sei por que, te percebi.
Voltei-me em flor. Mas era apenas tua lembrança
Estavas longe, doce amiga, e so vi no perfil da cidade
O arcanjo forte do arranha-céu cor-de-rosa
Mexendo asas de azuis dentro da tarde
Mario de Andrade, Poesia completa.
Já era noite quando vovô Vitório chegou a danceteria mais famosa da cidade. Todos que ali estavam voltaram olhares curiosos em direção ao velhote.
Ele estava muito feliz e receptivo. Gingava o seu esqueleto para todos os lados, tremelicando os bracinhos desnudos que evidenciavam a flacidez muscular, própria dos setenta anos de idade. Tentou acompanhar o ritmo agitado da música. E conseguiu, pois passara horas ensaiando a coreografia. Fizera isso na medida em que modelava o alvo topete borrifando um laque aromatizado. Compôs o grotesco penteado fazendo um rabo-de-cavalo que era seu maior orgulho.
Enfim, havia chegado o momento tão esperado e ali estava o vovô demonstrando toda a sua animação e elegancia. Não se descuidou da aparência e por várias vezes entreolhou-se no espelho para certificar-se de que a roupa íntima, de bolinhas vermelhas, estaria exposta acima da calça, já que escolhera a peça especialmente para aquela ocasião.
Andou pelo salão principal. Lançou para um grupo de mocinhas que acabava de chegar, um sorriso metálico proporcionado pelo aparelho que encaixara na dentadura. Uma das donzelas retribuiu com uma enigmática piscadela, fato que deixou o vovô com segundas intenções...
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Descortino a sua alma
E sua doce essência permeia o ar que respiro
Talvez seja possível, talvez não
Viver o que a ti pertence
Seus desejos são outros
Não sou um deles?! (...)
(Sônia)
(...)
Então eu estou aqui
E você também
Me permita ser o seu espelho esta noite
E encantar em mim o teu encanto
Tua estranheza e teu espanto
Como quem sabe no fundo
Que não há distância neste mundo
Pois somos uma só alma
A voz que te canta e te encanta de si
Que te faz sentir-se e parar
Como quem volta para casa
e resolve se amar
Somos livres e não possuímos as pessoas
Temos apenas o amor por elas
e nada mais...
É preciso ter coragem para ser o que somos
Sustentar uma chama no corpo
Sem deixar a luz apagar
É preciso reconhecer no caminho
que vai para dentro,
vencendo o medo imaginário
assegurar-se no inesperado,
confiando no invisível
desprezando o perecível
na buca de si mesmo.
Ser o capitão da nau
No mais terrível vendaval,
Na conquista de um novo mundo
Mergulhar bem fundo
Para encontrar nosso ser ideal
E rir, pois tudo é brincadeira
Que cada drama é só nosso modo de ver
A vida só está nos mostrando
Aquilo que estamos criando
Com nosso poder de crer.
(Luís A. A. Gasparetto)
Às vezes, uma dor me desespera...
Nestas ânsias e dúvidas em que ando,
Cismo e padeço, neste outono, quando
Calculo o que perdi na primavera.
Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explosão sincera...
Ah! mais cem vidas! com que ardor quisera,
Mais viver, mais pensar, e amar cantando!
Sinto o que esperdicei na juventude;
Choro, neste começo de velhice
Mártir da hipocrisia ou da virtude.
Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!
Olavo Bilac, Poesia, Rio de Janeiro, Agir.
Sorridente, o vigário caminhava entre as criancas. De vez em quando um ar severo e uma repreensão, mas mesmo assim todas daquele orfanato eram muito afetuosas com ele.
O senhor Álvaro fazia parte do mundo eclesiástico há cerca de vinte anos. Dividia o seu tempo entre os pequenos esquecidos e os afazeres da igreja. Exercia sua profissão de fé com dedicação e sabedoria, e por isso a comunidade o respeitava e seguia os seus conselhos.
Porém, atrás de toda essa abnegação, o pároco ocultava a tristeza de sua alma. Na juventude fora um rapaz bonito e apaixonado por Sofia, que também o amava. A moça era filha de um lavrador que, sozinho, a criava com muitas dificuldades. Já, o pai de Álvaro, homem de posses e autoritário, não permitiu que o amor dos dois jovens se concretizasse através do matrimônio. Então mudou-se com o filho para outra cidade.
Desiludido, o rapaz acreditou que nenhuma outra mulher tomaria lugar da bela Sofia. E, resignado aos seus desejos, enquanto homem, enveredou para o sacerdócio.
E agora estava ele a rezar missas e abençoar singelos casamentos no vilarejo mineiro conhecido por Paiolinho
Como de costume o sino badalava no alto da capela convidando as pessoas à missa da tarde. Após celebração, o vigário Álvaro sempre ficava no confessionário aguardando algum fiel arrependido.
Entretanto, algo especial aconteceria... Os ponteiros do relógio anunciavam o entardecer, o plúmbeo do céu parecia desabar; uma revoada de andorinhas buscava um refúgio; a chuva que, então, caía sobre as verdejantes montanhas formava uma tênue cortina de prata, atraindo as pessoas ao acochego do lar. Apenas uma, uma mulher vestida de um negro véu a cingir o rosto, mãozinhas pálidas e trêmulas, prostrou-se diante do confessionário, contando a sua história.
Cabisbaixo, o confessor ouvia atentamente o relato daquela mulher, mas por um momento eleva o rosto e reconhece, através da treliça, os amendoados olhos de Sofia...
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Lua imponente a pratear
cinge o escuro do quarto,
azulando o lençol em linho,
Palco que há muito espera...
... Vagorosos passos escuto.
Quanto desejo - "Vem!"
Então vislumbro a meia-luz,
Quanto querer - "Você!"
Ávidos olhos acham-se nos meus
entre beijos, que, quase acontecem.
Assim, do lúdico para a volúpia
Bocas selam um recomeço...
Prendo-me a você em liberdade, mas
Permita-se ser o meu Rei:
como súdita serei obediente,
e como amante farei
de seus devaneios,
a pura imagem da realidade.
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Pedaço terceiro de mim,
Meu pequeno grande amor,
Sete anos de alegria,
Obra-prima do Criador.
Seu sorriso é puro mel
Que adoça minha vida,
Grata sou ao imenso céu
Em ter você, querida.
O corre-corre pela casa
A chamar minha atenção,
Eternizam na lembrança
Essa singela visão.
À noite, que soninho!
Do paninho você carece,
Num instante adormece
Inocente coração em prece.
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- Onde vou germinar?
Pergunta a semente.
A natureza responde:
- Do destino depende!
- Quem é o destino?
Água que desce do céu?
A brisa da manhãzinha
ou a esperta abelinha?
Quando chegar o dia
De poder compreender
Já serei uma plantinha
E ao Criador agradecer.
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Lembranças...
São pétalas ao vento
Rodopiam, rodopiam
Amarelas, Brancas, Vermelhas...
Redemoinhos de cores
Que alegram meu pensamento.
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Olá pessoal!
Inspirando a vida de muitos
Um tempo de rosas se inicia...